Tarot é Pecado? O Que Dizem 4 Religiões do Brasil
- há 24 horas
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Se você chegou até aqui, é bem provável que já tenha se pego pensando: será que estou fazendo algo errado ao consultar o tarot? Essa dúvida é mais comum do que parece, e carrega dentro dela algo muito maior do que uma simples pergunta sobre cartas. Ela fala sobre fé, sobre pertencimento, sobre o medo de desagradar algo em que se acredita.
A verdade é que não existe uma resposta única para essa pergunta. Tarot é pecado depende, e muito, de qual religião estamos falando. Catolicismo, evangelismo, espiritismo e as religiões de matriz africana têm visões bem diferentes sobre o tema, e entender essas diferenças pode te ajudar a fazer as pazes com essa dúvida, seja qual for a sua fé.
Neste artigo você vai entender o que cada uma dessas quatro religiões ensina sobre o tarot, de onde vem essa preocupação e como pessoas de fé têm lidado com esse tema no dia a dia.
Afinal, o Que é Considerado Pecado Dentro de uma Religião?
Antes de falar sobre tarot especificamente, vale um passo atrás. A própria ideia de pecado não existe da mesma forma em todas as religiões.
No cristianismo (catolicismo e protestantismo), pecado é entendido como uma ação, pensamento ou omissão que vai contra os ensinamentos de Deus e afasta a pessoa da vida em graça. Já em outras tradições espirituais, como o espiritismo e as religiões de matriz africana, o conceito de pecado como culpa moral simplesmente não existe da mesma maneira. Essas religiões trabalham com outras lógicas, como a lei de causa e efeito ou a relação direta com entidades espirituais.
Por isso, perguntar se tarot é pecado já parte de um ponto de vista cristão. Para responder de forma completa, é preciso olhar cada religião dentro da própria estrutura de crenças dela, sem tentar encaixar todas na mesma régua.
Tarot é Adivinhação ou Autoconhecimento? Entenda a Diferença
Grande parte da resistência religiosa ao tarot vem de uma associação direta entre tarot e adivinhação, ou seja, a tentativa de prever o futuro com certeza absoluta. E é justamente aqui que mora um dos maiores mal entendidos sobre o assunto.
O tarot surgiu no século quinze, na Europa, como um simples jogo de cartas. Só a partir do século dezoito ele passou a ser associado ao misticismo. Hoje, muita gente que trabalha com tarot, inclusive dentro da própria comunidade espiritual, usa as cartas não para prever o futuro de forma fechada, mas como uma ferramenta simbólica de reflexão.
Nessa abordagem, o tarot funciona como um espelho. As cartas trazem símbolos e arquétipos que ajudam a pessoa a organizar pensamentos, identificar padrões emocionais e olhar para uma situação sob outro ângulo. Não é sobre entregar o controle da própria vida a uma carta, é sobre usar um recurso simbólico para pensar com mais clareza.
Essa diferença importa muito na hora de entender as posições religiosas, porque a maior parte das restrições está relacionada à ideia de adivinhação como substituição da fé, e não necessariamente ao uso simbólico das cartas.
O que caracteriza a adivinhação segundo as religiões cristãs
Tentativa de prever o futuro de forma definitiva e fechada.
Busca por respostas fora da relação direta com Deus.
Uso das cartas como autoridade absoluta sobre decisões de vida.
Substituição da oração, do discernimento pessoal ou do aconselhamento religioso.
O Que Cada Religião Diz Sobre o Tarot
Agora que você já entende a base do assunto, vamos direto ao ponto: o que catolicismo, evangelismo, espiritismo e as religiões de matriz africana realmente ensinam sobre o tarot.
Catolicismo e o Tarot
Para a Igreja Católica, a posição é clara e está descrita no Catecismo da Igreja Católica, no trecho que trata do primeiro mandamento. O documento afirma que todas as formas de adivinhação devem ser rejeitadas, incluindo consultas a horóscopos, videntes e médiuns, por considerar que essas práticas contradizem a confiança que se deve exclusivamente a Deus.
Segundo essa visão, o problema não está necessariamente nas cartas em si, mas na atitude de buscar respostas fora da relação com Deus e da providência divina. A Igreja entende que recorrer a esse tipo de prática representa uma forma de desconfiança em relação ao plano de Deus para a vida da pessoa.
Na prática, isso significa que, dentro da doutrina católica oficial, o tarot é considerado incompatível com a fé, sendo tratado como pecado contra o primeiro mandamento. Ainda assim, é importante lembrar que existe uma distância grande entre a doutrina oficial e a vivência pessoal de cada católico, e muitas pessoas que se identificam com o catolicismo relatam conciliar as duas coisas à sua maneira.
Um detalhe curioso, e pouco falado, é que o próprio baralho de tarot tradicional carrega diversas referências ao imaginário cristão e católico. O Papa, também chamado de Hierofante, é uma das cartas mais tradicionais do baralho e representa diretamente a maior autoridade religiosa do cristianismo, trajado com vestes sacerdotais e cetro em mãos. A carta do Julgamento traz um anjo tocando trombeta sobre figuras que ressurgem de seus túmulos, uma referência direta à ressurreição dos mortos descrita no Apocalipse bíblico. Em Os Enamorados, a cena remete ao relato de Adão e Eva no Jardim do Éden, tema central do livro de Gênesis. No Ás de Copas, vemos uma pomba branca segurando uma hóstia em seu bico, simbolizando o Espírito Santo. A cruz aparece em cartas como o próprio Papa e a Temperança, simbolizando fé e equilíbrio entre o humano e o divino, enquanto a Estrela remete à Estrela de Belém, guia de esperança na tradição cristã. Até o Diabo, apesar do nome, dialoga com a teologia cristã sobre o combate entre o bem e o mal. Esses elementos mostram que o tarot, ao longo da sua história, absorveu bastante simbologia cristã, o que para alguns reforça a incompatibilidade com a fé católica, e para outros é justamente um sinal de que os dois universos sempre estiveram mais próximos do que se imagina.
Evangélicos e o Tarot
Entre as igrejas evangélicas, de forma geral, a posição costuma ser ainda mais direta, e o ponto central dessa objeção não é exatamente o baralho em si, mas a ideia de tentar prever o futuro. A base bíblica mais citada está em Deuteronômio, capítulo dezoito, versículos dez a doze, que condena práticas como adivinhação, feitiçaria e consulta a espíritos, chamando essas ações de abomináveis diante de Deus.
Para a maioria das denominações evangélicas, o problema do tarot está justamente em tratar as cartas como uma forma de enxergar o que ainda vai acontecer, algo que, segundo essa visão, cabe somente a Deus decidir e revelar. A preocupação não é tanto com o símbolo da carta em si, mas com a postura de buscar certeza sobre o futuro fora da oração e da confiança na vontade divina. Por isso, mesmo interpretações do tarot voltadas ao autoconhecimento costumam ser recebidas com desconfiança nesse meio, já que a linha entre refletir sobre o presente e tentar antecipar o futuro nem sempre fica clara para quem olha de fora. Vale ressaltar que leituras de baralho nem sempre estão ligadas à visão futura, sendo possível analisar, de forma reflexiva, o passado e presente para os que buscam clareza para sua jornada daqui para frente, sem se qualificar no termo “adivinhação”.
Vale lembrar que o universo evangélico é bastante plural, com centenas de denominações diferentes espalhadas pelo Brasil. Isso significa que, embora a maioria rejeite o uso do tarot com esse argumento, o grau de rigidez em relação ao tema pode variar bastante de uma igreja para outra.
Espiritismo e o Tarot
O espiritismo, fundado por Allan Kardec no século dezenove, tem uma relação diferente com esse tema. A doutrina espírita se baseia principalmente na mediunidade, ou seja, na comunicação entre espíritos e médiuns preparados, e não trabalha oficialmente com o tarot como ferramenta espiritual.
Aqui está um ponto importante: o espiritismo não usa o conceito de pecado da mesma forma que o cristianismo tradicional. Em vez disso, a doutrina trabalha com a lei de causa e efeito, entendendo que toda ação gera uma consequência proporcional, sem a ideia de culpa moral fixa associada a atos específicos.
Por isso, não existe uma condenação oficial do tarot dentro da doutrina espírita kardecista, mas também não existe um incentivo. Muitos espíritas relatam usar o tarot de forma pessoal, mais próxima do autoconhecimento do que da mediunidade, sem que isso seja visto como uma contradição grave dentro da própria fé. A posição, de modo geral, é de neutralidade cautelosa, sempre reforçando que o discernimento e o estudo devem vir antes de qualquer prática.
Religiões de Matriz Africana (Umbanda, Candomblé e Vertentes Próximas) e o Tarot
As religiões de matriz africana, que reúnem umbanda, candomblé e outras vertentes próximas, têm uma relação particular com esse assunto, porque, diferente do cristianismo, essas religiões não trabalham com o conceito de pecado. A ideia de errar diante de uma entidade divina não existe da mesma forma, sendo substituída por uma lógica de equilíbrio espiritual, obrigações e relação direta com os orixás.
Essas religiões já possuem seu próprio oráculo tradicional, o jogo de búzios, também chamado de merindilogun. É um sistema de dezesseis conchas marinhas, jogadas por sacerdotes preparados, usado para se comunicar diretamente com os orixás e entender qual divindade está à frente da pessoa naquele momento.
Como o tarot não faz parte da tradição originária dessas religiões, ele simplesmente não é tratado como certo ou errado dentro delas. Não há uma condenação por ser considerado pecado, até mesmo porquê na linha de ciganos é comum vermos as entidades utilizando o oráculo como ferramenta, mas, em geral, não é uma prática nativa do candomblé ou da umbanda. Muitas pessoas que seguem essas religiões enxergam o tarot como um recurso à parte, compatível com sua vivência pessoal.
Falo com um pouco mais de proximidade sobre esse grupo, porque é o universo religioso do qual mais me aproximo e que frequento com carinho, ainda que eu não me diga exclusivamente umbandista. E é justamente essa abertura, essa lógica menos rígida em torno de certo e errado, que na minha vivência torna mais natural transitar entre o tarot e a fé, sem sentir que uma coisa invalida a outra.
Pontos em Comum Entre as Religiões
Mesmo com visões tão diferentes, existe algo que atravessa as quatro religiões: a importância do discernimento. Catolicismo, evangelismo, espiritismo e as religiões de matriz africana, cada uma à sua maneira, reforçam que decisões de vida não devem ser entregues cegamente a nenhuma prática externa, seja ela o tarot, os búzios ou qualquer outro recurso simbólico. Todas concordam com a existência do poder no baralho, e, de formas diferentes, que a responsabilidade final por uma escolha continua sendo da própria pessoa, e que nenhuma ferramenta deveria substituir a reflexão, a fé ou o senso de propósito de quem consulta.
Então, Ler Tarot é Pecado ou Não?
A resposta honesta é: depende inteiramente da religião e da forma como você vive sua fé. Se você é católico ou evangélico praticante, a posição oficial das duas tradições costuma classificar o tarot como incompatível com a doutrina, por associá-lo à adivinhação. Se você é espírita ou segue uma religião de matriz africana, a lógica é outra, porque o próprio conceito de pecado não se aplica da mesma forma.
O que fica claro é que essa não é uma pergunta com uma única resposta certa para todo mundo. É uma pergunta pessoal, que só faz sentido quando respondida dentro do contexto da sua própria fé, dos seus próprios valores e da forma como você entende sua relação com o sagrado.
Deixo aqui uma pergunta aos leitores:
Qual a sua religião?
Católico
Evangélico
Espírita
Religiões afro-brasileiras
Como Usar o Tarot de Forma Consciente e Respeitosa com Sua Fé
Se depois de tudo isso você ainda sente vontade de experimentar uma leitura de tarot, ou já faz isso há um tempo e quer trazer mais consciência para a prática, alguns pontos podem ajudar:
Entenda o tarot como ferramenta de reflexão, não como autoridade absoluta sobre sua vida.
Evite usar o tarot para tomar decisões urgentes ou de forma repetitiva sobre o mesmo assunto, buscando sempre a resposta que você quer ouvir.
Mantenha o discernimento em primeiro lugar, comparando o que a leitura traz com o que você realmente sente e conhece sobre a própria situação.
Se sua fé for um pilar importante na sua vida, permita se conversar com ela sobre isso, seja em oração, em reflexão pessoal ou em conversa com sua comunidade religiosa.
Lembre se de que nenhuma leitura substitui cuidado profissional em questões de saúde mental, decisões médicas ou jurídicas.
Perguntas Frequentes Sobre Tarot e Religião
Tarot é pecado para católicos?
Sim, segundo o Catecismo da Igreja Católica, todas as formas de adivinhação, incluindo o tarot, são consideradas incompatíveis com a fé e classificadas como pecado contra o primeiro mandamento.
O que a Bíblia diz sobre tarot?
A Bíblia não cita o tarot diretamente, já que ele surgiu séculos depois de seus textos serem escritos. No entanto, trechos como Deuteronômio 18:10-12 condenam práticas de adivinhação de forma geral, e é nessa base que a maioria das igrejas cristãs se apoia para rejeitar o tarot.
Evangélico pode ler tarot?
Segundo a posição da maioria das denominações evangélicas, não. A prática costuma ser vista como forma de adivinhação, o que contraria os ensinamentos bíblicos sobre confiar exclusivamente em Deus para orientação. Vale ressaltar que não necessariamente a prática é ligadas à visão futura, sendo possível analisar, de forma reflexiva, o passado e presente para os que buscam clareza para sua jornada daqui para frente, sem se qualificar no termo “adivinhação”.
Tarot é coisa do demônio?
Essa é uma interpretação comum em algumas correntes cristãs mais rígidas, mas não é um consenso. Outras vertentes de fé e mesmo alguns setores mais liberais do cristianismo entendem o tarot como um recurso simbólico neutro, cujo significado depende da intenção de quem o utiliza.
Espírita pode consultar tarot?
O espiritismo não proíbe oficialmente o uso do tarot, mas também não o incorpora como prática oficial da doutrina. Muitos espíritas usam o tarot de forma pessoal, sem que isso seja visto como contradição grave com a fé.
Umbanda e candomblé aceitam o uso do tarot?
Essas religiões não trabalham com o conceito de pecado, então não existe uma condenação formal ao tarot. Ainda assim, ele não é uma prática nativa dessas tradições, que possuem seu próprio oráculo tradicional, o jogo de búzios.
Fazer tarot é o mesmo que adivinhação?
Não necessariamente. Adivinhação, no sentido religioso, é a tentativa de prever o futuro de forma fechada e definitiva. Muitas pessoas usam o tarot como ferramenta de autoconhecimento e reflexão, e não como previsão absoluta do futuro.
Posso ter fé em Deus e ainda assim fazer tarot?
Isso depende de qual religião você segue e de como sua tradição de fé específica trata o tema. Para católicos e evangélicos praticantes, a doutrina oficial costuma considerar as duas coisas incompatíveis. Para outras tradições espirituais, essa incompatibilidade não existe da mesma forma.
O tarot tem cartas com simbolismo católico?
Sim. Cartas como O Papa, O Julgamento, Os Enamorados, A Temperança e A Estrela carregam referências diretas ao imaginário cristão, como o Jardim do Éden, Pomba da Paz e hóstia, o Apocalipse e a Estrela de Belém, mostrando que o baralho absorveu bastante simbologia católica ao longo da sua história.
Existe diferença entre tarot e jogo de búzios?
Sim. O tarot é um baralho de origem europeia, com raízes em jogos de cartas do século quinze. O jogo de búzios é um oráculo tradicional das religiões de matriz africana, feito com conchas marinhas e interpretado por sacerdotes preparados dentro do candomblé e de parte da umbanda.
É pecado mortal fazer tarot segundo o catolicismo?
A Igreja classifica a prática de adivinhação como pecado contra o primeiro mandamento, mas a gravidade específica de cada situação costuma depender do contexto e da intenção, sendo um tema melhor esclarecido diretamente com um sacerdote ou orientador espiritual católico.
O tarot tem origem religiosa?
Não. O tarot surgiu no século quinze como um jogo de cartas comum na Europa. Só a partir do século dezoito ele passou a ser associado ao misticismo e a práticas espirituais, o que reforça que sua origem não está ligada a nenhuma religião específica.
Conclusão
Tarot é pecado depende, no fim das contas, de qual porta você está olhando. Para o catolicismo e para o protestantismo, a resposta oficial costuma ser sim. Para o espiritismo e para as religiões de matriz africana, a própria pergunta muda de forma, porque o conceito de pecado simplesmente não funciona da mesma maneira dentro dessas tradições.
O que fica no final não é uma regra única, mas um convite: o de olhar para sua própria fé com honestidade, entender de onde vêm suas dúvidas e decidir, com consciência, o que faz sentido para você. Nenhuma religião, nenhuma prática espiritual e nenhuma ferramenta simbólica deveria gerar culpa quando usada com respeito e discernimento.
Um Convite Para Você
Se depois de ler tudo isso você sentiu curiosidade de experimentar uma leitura de tarot, com espaço para suas próprias filosofias e crenças, estou aqui para isso. No Tarot By Mile, as leituras são pensadas como um momento de escuta e reflexão. Se fizer sentido para você, meu convite está aberto quando quiser.



Muito detalhado e esclarecedor.