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Tarot é Pecado? O Que Dizem 4 Religiões do Brasil

  • há 24 horas
  • 11 min de leitura
Mesa de madeira com cartas de tarô, vela acesa, cristais, xícara e plantas ao fundo, em ambiente calmo e acolhedor.

Se você chegou até aqui, é bem provável que já tenha se pego pensando: será que estou fazendo algo errado ao consultar o tarot? Essa dúvida é mais comum do que parece, e carrega dentro dela algo muito maior do que uma simples pergunta sobre cartas. Ela fala sobre fé, sobre pertencimento, sobre o medo de desagradar algo em que se acredita.

A verdade é que não existe uma resposta única para essa pergunta. Tarot é pecado depende, e muito, de qual religião estamos falando. Catolicismo, evangelismo, espiritismo e as religiões de matriz africana têm visões bem diferentes sobre o tema, e entender essas diferenças pode te ajudar a fazer as pazes com essa dúvida, seja qual for a sua fé.

Neste artigo você vai entender o que cada uma dessas quatro religiões ensina sobre o tarot, de onde vem essa preocupação e como pessoas de fé têm lidado com esse tema no dia a dia.


Afinal, o Que é Considerado Pecado Dentro de uma Religião?

Antes de falar sobre tarot especificamente, vale um passo atrás. A própria ideia de pecado não existe da mesma forma em todas as religiões.

No cristianismo (catolicismo e protestantismo), pecado é entendido como uma ação, pensamento ou omissão que vai contra os ensinamentos de Deus e afasta a pessoa da vida em graça. Já em outras tradições espirituais, como o espiritismo e as religiões de matriz africana, o conceito de pecado como culpa moral simplesmente não existe da mesma maneira. Essas religiões trabalham com outras lógicas, como a lei de causa e efeito ou a relação direta com entidades espirituais.

Por isso, perguntar se tarot é pecado já parte de um ponto de vista cristão. Para responder de forma completa, é preciso olhar cada religião dentro da própria estrutura de crenças dela, sem tentar encaixar todas na mesma régua.


Tarot é Adivinhação ou Autoconhecimento? Entenda a Diferença

Grande parte da resistência religiosa ao tarot vem de uma associação direta entre tarot e adivinhação, ou seja, a tentativa de prever o futuro com certeza absoluta. E é justamente aqui que mora um dos maiores mal entendidos sobre o assunto.

O tarot surgiu no século quinze, na Europa, como um simples jogo de cartas. Só a partir do século dezoito ele passou a ser associado ao misticismo. Hoje, muita gente que trabalha com tarot, inclusive dentro da própria comunidade espiritual, usa as cartas não para prever o futuro de forma fechada, mas como uma ferramenta simbólica de reflexão.

Nessa abordagem, o tarot funciona como um espelho. As cartas trazem símbolos e arquétipos que ajudam a pessoa a organizar pensamentos, identificar padrões emocionais e olhar para uma situação sob outro ângulo. Não é sobre entregar o controle da própria vida a uma carta, é sobre usar um recurso simbólico para pensar com mais clareza.

Essa diferença importa muito na hora de entender as posições religiosas, porque a maior parte das restrições está relacionada à ideia de adivinhação como substituição da fé, e não necessariamente ao uso simbólico das cartas.


O que caracteriza a adivinhação segundo as religiões cristãs

  • Tentativa de prever o futuro de forma definitiva e fechada.

  • Busca por respostas fora da relação direta com Deus.

  • Uso das cartas como autoridade absoluta sobre decisões de vida.

  • Substituição da oração, do discernimento pessoal ou do aconselhamento religioso.


O Que Cada Religião Diz Sobre o Tarot

Agora que você já entende a base do assunto, vamos direto ao ponto: o que catolicismo, evangelismo, espiritismo e as religiões de matriz africana realmente ensinam sobre o tarot.


Catolicismo e o Tarot

Para a Igreja Católica, a posição é clara e está descrita no Catecismo da Igreja Católica, no trecho que trata do primeiro mandamento. O documento afirma que todas as formas de adivinhação devem ser rejeitadas, incluindo consultas a horóscopos, videntes e médiuns, por considerar que essas práticas contradizem a confiança que se deve exclusivamente a Deus.

Segundo essa visão, o problema não está necessariamente nas cartas em si, mas na atitude de buscar respostas fora da relação com Deus e da providência divina. A Igreja entende que recorrer a esse tipo de prática representa uma forma de desconfiança em relação ao plano de Deus para a vida da pessoa.

Na prática, isso significa que, dentro da doutrina católica oficial, o tarot é considerado incompatível com a fé, sendo tratado como pecado contra o primeiro mandamento. Ainda assim, é importante lembrar que existe uma distância grande entre a doutrina oficial e a vivência pessoal de cada católico, e muitas pessoas que se identificam com o catolicismo relatam conciliar as duas coisas à sua maneira.

Um detalhe curioso, e pouco falado, é que o próprio baralho de tarot tradicional carrega diversas referências ao imaginário cristão e católico. O Papa, também chamado de Hierofante, é uma das cartas mais tradicionais do baralho e representa diretamente a maior autoridade religiosa do cristianismo, trajado com vestes sacerdotais e cetro em mãos. A carta do Julgamento traz um anjo tocando trombeta sobre figuras que ressurgem de seus túmulos, uma referência direta à ressurreição dos mortos descrita no Apocalipse bíblico. Em Os Enamorados, a cena remete ao relato de Adão e Eva no Jardim do Éden, tema central do livro de Gênesis. No Ás de Copas, vemos uma pomba branca segurando uma hóstia em seu bico, simbolizando o Espírito Santo. A cruz aparece em cartas como o próprio Papa e a Temperança, simbolizando fé e equilíbrio entre o humano e o divino, enquanto a Estrela remete à Estrela de Belém, guia de esperança na tradição cristã. Até o Diabo, apesar do nome, dialoga com a teologia cristã sobre o combate entre o bem e o mal. Esses elementos mostram que o tarot, ao longo da sua história, absorveu bastante simbologia cristã, o que para alguns reforça a incompatibilidade com a fé católica, e para outros é justamente um sinal de que os dois universos sempre estiveram mais próximos do que se imagina.


Evangélicos e o Tarot

Entre as igrejas evangélicas, de forma geral, a posição costuma ser ainda mais direta, e o ponto central dessa objeção não é exatamente o baralho em si, mas a ideia de tentar prever o futuro. A base bíblica mais citada está em Deuteronômio, capítulo dezoito, versículos dez a doze, que condena práticas como adivinhação, feitiçaria e consulta a espíritos, chamando essas ações de abomináveis diante de Deus.

Para a maioria das denominações evangélicas, o problema do tarot está justamente em tratar as cartas como uma forma de enxergar o que ainda vai acontecer, algo que, segundo essa visão, cabe somente a Deus decidir e revelar. A preocupação não é tanto com o símbolo da carta em si, mas com a postura de buscar certeza sobre o futuro fora da oração e da confiança na vontade divina. Por isso, mesmo interpretações do tarot voltadas ao autoconhecimento costumam ser recebidas com desconfiança nesse meio, já que a linha entre refletir sobre o presente e tentar antecipar o futuro nem sempre fica clara para quem olha de fora. Vale ressaltar que leituras de baralho nem sempre estão ligadas à visão futura, sendo possível analisar, de forma reflexiva, o passado e presente para os que buscam clareza para sua jornada daqui para frente, sem se qualificar no termo “adivinhação”.

Vale lembrar que o universo evangélico é bastante plural, com centenas de denominações diferentes espalhadas pelo Brasil. Isso significa que, embora a maioria rejeite o uso do tarot com esse argumento, o grau de rigidez em relação ao tema pode variar bastante de uma igreja para outra.


Espiritismo e o Tarot

O espiritismo, fundado por Allan Kardec no século dezenove, tem uma relação diferente com esse tema. A doutrina espírita se baseia principalmente na mediunidade, ou seja, na comunicação entre espíritos e médiuns preparados, e não trabalha oficialmente com o tarot como ferramenta espiritual.

Aqui está um ponto importante: o espiritismo não usa o conceito de pecado da mesma forma que o cristianismo tradicional. Em vez disso, a doutrina trabalha com a lei de causa e efeito, entendendo que toda ação gera uma consequência proporcional, sem a ideia de culpa moral fixa associada a atos específicos.

Por isso, não existe uma condenação oficial do tarot dentro da doutrina espírita kardecista, mas também não existe um incentivo. Muitos espíritas relatam usar o tarot de forma pessoal, mais próxima do autoconhecimento do que da mediunidade, sem que isso seja visto como uma contradição grave dentro da própria fé. A posição, de modo geral, é de neutralidade cautelosa, sempre reforçando que o discernimento e o estudo devem vir antes de qualquer prática.


Religiões de Matriz Africana (Umbanda, Candomblé e Vertentes Próximas) e o Tarot

As religiões de matriz africana, que reúnem umbanda, candomblé e outras vertentes próximas, têm uma relação particular com esse assunto, porque, diferente do cristianismo, essas religiões não trabalham com o conceito de pecado. A ideia de errar diante de uma entidade divina não existe da mesma forma, sendo substituída por uma lógica de equilíbrio espiritual, obrigações e relação direta com os orixás.

Essas religiões já possuem seu próprio oráculo tradicional, o jogo de búzios, também chamado de merindilogun. É um sistema de dezesseis conchas marinhas, jogadas por sacerdotes preparados, usado para se comunicar diretamente com os orixás e entender qual divindade está à frente da pessoa naquele momento.

Como o tarot não faz parte da tradição originária dessas religiões, ele simplesmente não é tratado como certo ou errado dentro delas. Não há uma condenação por ser considerado pecado, até mesmo porquê na linha de ciganos é comum vermos as entidades utilizando o oráculo como ferramenta, mas, em geral, não é uma prática nativa do candomblé ou da umbanda. Muitas pessoas que seguem essas religiões enxergam o tarot como um recurso à parte, compatível com sua vivência pessoal.

Falo com um pouco mais de proximidade sobre esse grupo, porque é o universo religioso do qual mais me aproximo e que frequento com carinho, ainda que eu não me diga exclusivamente umbandista. E é justamente essa abertura, essa lógica menos rígida em torno de certo e errado, que na minha vivência torna mais natural transitar entre o tarot e a fé, sem sentir que uma coisa invalida a outra.


Pontos em Comum Entre as Religiões

Mesmo com visões tão diferentes, existe algo que atravessa as quatro religiões: a importância do discernimento. Catolicismo, evangelismo, espiritismo e as religiões de matriz africana, cada uma à sua maneira, reforçam que decisões de vida não devem ser entregues cegamente a nenhuma prática externa, seja ela o tarot, os búzios ou qualquer outro recurso simbólico. Todas concordam com a existência do poder no baralho, e, de formas diferentes, que a responsabilidade final por uma escolha continua sendo da própria pessoa, e que nenhuma ferramenta deveria substituir a reflexão, a fé ou o senso de propósito de quem consulta.


Então, Ler Tarot é Pecado ou Não?

A resposta honesta é: depende inteiramente da religião e da forma como você vive sua fé. Se você é católico ou evangélico praticante, a posição oficial das duas tradições costuma classificar o tarot como incompatível com a doutrina, por associá-lo à adivinhação. Se você é espírita ou segue uma religião de matriz africana, a lógica é outra, porque o próprio conceito de pecado não se aplica da mesma forma.

O que fica claro é que essa não é uma pergunta com uma única resposta certa para todo mundo. É uma pergunta pessoal, que só faz sentido quando respondida dentro do contexto da sua própria fé, dos seus próprios valores e da forma como você entende sua relação com o sagrado.


Deixo aqui uma pergunta aos leitores:

Qual a sua religião?

  • Católico

  • Evangélico

  • Espírita

  • Religiões afro-brasileiras


Como Usar o Tarot de Forma Consciente e Respeitosa com Sua Fé

Se depois de tudo isso você ainda sente vontade de experimentar uma leitura de tarot, ou já faz isso há um tempo e quer trazer mais consciência para a prática, alguns pontos podem ajudar:

  • Entenda o tarot como ferramenta de reflexão, não como autoridade absoluta sobre sua vida.

  • Evite usar o tarot para tomar decisões urgentes ou de forma repetitiva sobre o mesmo assunto, buscando sempre a resposta que você quer ouvir.

  • Mantenha o discernimento em primeiro lugar, comparando o que a leitura traz com o que você realmente sente e conhece sobre a própria situação.

  • Se sua fé for um pilar importante na sua vida, permita se conversar com ela sobre isso, seja em oração, em reflexão pessoal ou em conversa com sua comunidade religiosa.

  • Lembre se de que nenhuma leitura substitui cuidado profissional em questões de saúde mental, decisões médicas ou jurídicas.


Perguntas Frequentes Sobre Tarot e Religião

Tarot é pecado para católicos?

Sim, segundo o Catecismo da Igreja Católica, todas as formas de adivinhação, incluindo o tarot, são consideradas incompatíveis com a fé e classificadas como pecado contra o primeiro mandamento.

O que a Bíblia diz sobre tarot?

A Bíblia não cita o tarot diretamente, já que ele surgiu séculos depois de seus textos serem escritos. No entanto, trechos como Deuteronômio 18:10-12 condenam práticas de adivinhação de forma geral, e é nessa base que a maioria das igrejas cristãs se apoia para rejeitar o tarot.

Evangélico pode ler tarot?

Segundo a posição da maioria das denominações evangélicas, não. A prática costuma ser vista como forma de adivinhação, o que contraria os ensinamentos bíblicos sobre confiar exclusivamente em Deus para orientação. Vale ressaltar que não necessariamente a prática é ligadas à visão futura, sendo possível analisar, de forma reflexiva, o passado e presente para os que buscam clareza para sua jornada daqui para frente, sem se qualificar no termo “adivinhação”.

Tarot é coisa do demônio?

Essa é uma interpretação comum em algumas correntes cristãs mais rígidas, mas não é um consenso. Outras vertentes de fé e mesmo alguns setores mais liberais do cristianismo entendem o tarot como um recurso simbólico neutro, cujo significado depende da intenção de quem o utiliza.

Espírita pode consultar tarot?

O espiritismo não proíbe oficialmente o uso do tarot, mas também não o incorpora como prática oficial da doutrina. Muitos espíritas usam o tarot de forma pessoal, sem que isso seja visto como contradição grave com a fé.

Umbanda e candomblé aceitam o uso do tarot?

Essas religiões não trabalham com o conceito de pecado, então não existe uma condenação formal ao tarot. Ainda assim, ele não é uma prática nativa dessas tradições, que possuem seu próprio oráculo tradicional, o jogo de búzios.

Fazer tarot é o mesmo que adivinhação?

Não necessariamente. Adivinhação, no sentido religioso, é a tentativa de prever o futuro de forma fechada e definitiva. Muitas pessoas usam o tarot como ferramenta de autoconhecimento e reflexão, e não como previsão absoluta do futuro.

Posso ter fé em Deus e ainda assim fazer tarot?

Isso depende de qual religião você segue e de como sua tradição de fé específica trata o tema. Para católicos e evangélicos praticantes, a doutrina oficial costuma considerar as duas coisas incompatíveis. Para outras tradições espirituais, essa incompatibilidade não existe da mesma forma.

O tarot tem cartas com simbolismo católico?

Sim. Cartas como O Papa, O Julgamento, Os Enamorados, A Temperança e A Estrela carregam referências diretas ao imaginário cristão, como o Jardim do Éden, Pomba da Paz e hóstia, o Apocalipse e a Estrela de Belém, mostrando que o baralho absorveu bastante simbologia católica ao longo da sua história.

Existe diferença entre tarot e jogo de búzios?

Sim. O tarot é um baralho de origem europeia, com raízes em jogos de cartas do século quinze. O jogo de búzios é um oráculo tradicional das religiões de matriz africana, feito com conchas marinhas e interpretado por sacerdotes preparados dentro do candomblé e de parte da umbanda.

É pecado mortal fazer tarot segundo o catolicismo?

A Igreja classifica a prática de adivinhação como pecado contra o primeiro mandamento, mas a gravidade específica de cada situação costuma depender do contexto e da intenção, sendo um tema melhor esclarecido diretamente com um sacerdote ou orientador espiritual católico.

O tarot tem origem religiosa?

Não. O tarot surgiu no século quinze como um jogo de cartas comum na Europa. Só a partir do século dezoito ele passou a ser associado ao misticismo e a práticas espirituais, o que reforça que sua origem não está ligada a nenhuma religião específica.


Conclusão

Tarot é pecado depende, no fim das contas, de qual porta você está olhando. Para o catolicismo e para o protestantismo, a resposta oficial costuma ser sim. Para o espiritismo e para as religiões de matriz africana, a própria pergunta muda de forma, porque o conceito de pecado simplesmente não funciona da mesma maneira dentro dessas tradições.

O que fica no final não é uma regra única, mas um convite: o de olhar para sua própria fé com honestidade, entender de onde vêm suas dúvidas e decidir, com consciência, o que faz sentido para você. Nenhuma religião, nenhuma prática espiritual e nenhuma ferramenta simbólica deveria gerar culpa quando usada com respeito e discernimento.


Um Convite Para Você

Se depois de ler tudo isso você sentiu curiosidade de experimentar uma leitura de tarot, com espaço para suas próprias filosofias e crenças, estou aqui para isso. No Tarot By Mile, as leituras são pensadas como um momento de escuta e reflexão. Se fizer sentido para você, meu convite está aberto quando quiser.


1 comentário


Atila Larsen
Atila Larsen
há 2 minutos

Muito detalhado e esclarecedor.

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